As imagens presentes neste fotolivro foram produzidas por mim, Ythalla Maraysa, entre 2017 e 2025, transitando entre os contextos urbano, periférico e rural da cidade de Caruaru, agreste central pernambucano.  
Para chegarmos a esse resultado, foram realizadas reuniões com a curadora e orientadora Daniela Bracchi, a fim de entendermos juntas como seria construída uma narrativa a partir de imagens com plasticidades diversas. O arco narrativo do fotolivro surge da ambientação da paisagem ao entardecer e de um ritmo contemplativo, dos lugares ordinários que a rua nos apresenta, da presença de amigos, amigas e transeuntes, como também me incluindo como uma personagem que conta a própria estória. 
O processo seletivo partiu inicialmente de 1500 imagens e, após o processo curatorial, resultou em um fotolivro digital com 90 fotografias compondo assim a narrativa visual do âmago.
As fotografias que compõem o âmago narram o Agreste em sua afetividade e diversidade. Por meio delas, busco apresentar minha visão de mundo e um imaginário social carregado de sons, cheiros e cores, representados em manifestações populares, como as bandas de pífanos, as novenas e a feira; na religiosidade; no movimento da cidade e na intimidade do autorretrato, ao olhar para mim como um corpo que habita e comunga de um território em um espaço/tempo que nos pertence.  Reivindico aqui o direito de criar minhas próprias estórias em conjunto com as pessoas que estão representadas neste fotolivro.
A escolha por uma estética analógica com diferentes técnicas de impressão reforça um movimento de retomada dos processos tradicionais fotográficos. A possibilidade de intervenção com a técnica de impressão em cianotipia [utilizada neste projeto] permite a sobreposição de camadas plásticas às imagens, fazendo com que o tempo de observação do leitor se torne um exercício de percepção e sensorialidade. Um aceno para novos mecanismos de expansão da fotografia pernambucana e principalmente agrestina.